20 Anos sem a Rádio Jornal do Brasil AM


1 de Março de 2012
Hoje celebramos exatos vinte anos de ausência do que foi a base da nossa Cultura Musical, Social... Esse legado nos concede grandiosa satisfação, acompanhada de muita saudade e profundo prazer.
Uma Arte, um Estilo não se inventa ou se cria, se descobre. Não acredito que alguém um dia descubra ou até que exista um Estilo de se fazer Rádio como ou, melhor que a RÁDIO JORNAL DO BRASIL AM fez durante quase cinquenta e sete gloriosos anos.
Entre tantas Emissoras de Rádio citadas e conhecidas atualmente, sugiro ainda a Rádio Tribuna FM em Vitória e Cachoeiro do Itapemirim ES. Sob a direção do amigo e locutor Magno Santos (estudioso e veterano do Rádio) a sintonizo aqui por sinal direto com Antena externa. http://www.redetribuna.com.br/radio/fm
Abraços!
Letancio Bragato


"PRF4 Rádio Jornal do Brasil AM - Memórias"


Em um sabado, 10 de Agosto de 1935 a PRF4 Radio Jornal do Brasil foi ao ar pela primeira vez. orientada pelo sonho de Ernesto Pereira Carneiro, um brasileiro idealista que imaginou um instrumento de cultura popular, capaz de completar a missão de informar e orientar a opinião publica a que o Jornal já se dedicava. uma Radio que atendesse e elevasse ao mesmo tempo o gosto do publico com a apresentação de musica de boa qualidade e cada vez mais um veiculo de cultura a serviço do pais, do povo e do seu ideal democrático.

Internet (autor desconhecido)
A extinta rádio Jornal do Brasil, AM 940, foi sem dúvida uma das melhores rádios já ouvidas no Brasil. Durante décadas, o grupo JB fez dela uma tribuna livre, para todas as correntes de pensamento social e político brasileiras.
Foi a primeira rádio jornalística do Rio de Janeiro, apesar de dedicar uma parte de seus horários para programas musicais (sempre música contemporânea da boa) e programas esportivos.
Até mesmo nos combalidos anos 60 e 70, a rádio peitou a censura, e conseguiu veicular reportagens e entrevistas que, nas entrelinhas, demonstravam o caos em que o Brasil tinha se tornado. Uma verdade que os governos pós-1964 não queriam, obviamente, que viesse a público.
Claro que a rádio, como toda a mídia, teve que aumentar a cobertura do noticiário internacional, que era menos sujeita à censura. Mas sem nunca descuidar dos fatos do Rio e do Brasil, na medida do possível.
Uma vez, houve uma manifestação de alunos da PUC-RJ contra o governo militar. Para fugir da censura, o repórter da JB AM, de um helicóptero, apenas dizia no ar algo como: "Está havendo um congestionamento nas proximidades da rua Marquês de São Vicente". Era a maneira de dizer à audiência (já bem informada) que o protesto tinha sido um sucesso.
Alguém, um dia, escreverá um livro sobre as décadas de ouro da JB AM, e sobre seus heróicos profissionais.
A rádio entrou em crise nos anos 80, com o cerco contrário do mercado publicitário, já voltado quase completamente para a TV e o mercado editorial, e quando muito, às novas FMs.
O golpe final veio em 1992, na infame era Collor: o grupo JB, já em crise, vendeu a emissora para o deputado evangélico Francisco Silva, já na época dono da Melodia FM. Era a resposta de Collor & cia a aquela rádio que não tinha medo de divulgar a verdade. A JB AM foi transformada na evangélica Brasil AM, com o codinome "Cristo em Casa".

Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro
Na Av. Rio Branco, antiga central, a mais importante do centro da cidade maravilhosa, o matutino Jornal Do Brasil do Conde Ernesto Pereira Carneiro, inaugurou, a 10 de agosto de 1935, a sua emissora, Rádio Jornal Do Brasil.
A Rádio Jornal Do Brasil apareceu, e assim se manteve até o encerramento de suas transmissões, com uma programação dirigida as classes A e B, com música selecionada. Filosofia contestadora do samba, música do morro e gafieira. Quando muito a pular estrangeira em sua programação, desde as cançonetas italianas, para variar seus trechos líricos e sinfônicos apresentados, até a música norte-americana, francesa ou alemã, da melhor qualidade.
Na realidade, a rádio Jornal Do Brasil trouxe pela primeira vez a complementação "rádio e jornal", muito embora cada qual, na empresa Pereira Carneiro, tivesse sua caminhada independente. Mas foi a primeira rádio integrando um complexo jornalístico.
A Rádio Jornal Do Brasil firmou-se, também pela iniciativa de transmitir as reuniões turfísticas e de inserir, entre os páreos e cotações de apostas, música erudita, na maioria das vezes.
Nesta emissora pontificaram dois profissionais que integram a história de nossa radiodifusão. Luiz Jatobá e Teófilo de vasconcelos, excelente narrador de corridas de cavalos.
O maior e mais destacado nome da radiofonia, Guglielmo Marconi, veio ao Brasil a convite expresso desse homem dinâmico que foi Assis Chateuabriand, para paraninfar a inauguração da primeira emissora carioca associada, a rádio Tupi, apelidada de "A Cacique do ar", ocorrida a 25 de setembro de 1935.
Nasceu a Tupi carioca, PRG3, em desconfortável armazém ou, trapiche, como querem alguns, da rua Santo Cristo. Uma rádio para quem ouvia, pouco importando instalações internas requintadas. Uma peça indubitavelmente importante no amplo tabuleiro que se iria, pouco a pouco, enriquecendo com uma rede radiofônica interligando as cidades brasileiras de maior expressão.
Assis Chateaubriand confiou à rádio Tupi, PRG3, ao brilhante jornalista e professor Carlos Rizzini.

pt.wikipedia.org (João Carvalho)
A Rádio Jornal do Brasil AM foi uma das emissoras brasileiras de maior credibilidade. A emissora se pautava, desde sua fundação, por um estilo sóbrio, elegante e imparcial. Embora o jornalismo se constituísse na prioridade, a emissora entremeava seus noticiososos com uma programação musical de qualidade, sem espaço para modismos e para músicas de qualidade duvidosa. Demais disso, uma característica interessante da JB era o fato de que quando se tratava de uma música brasileira, o locutor, além do nome do(a) cantor(a) ou do grupo, lia o nome do(s) compositor(es). Até hoje, são pouco encontradiças (para não dizer inexistentes) emissoras que se
preocupem em divulgar os compositores das canções.

Alguns exemplos de músicos, cantores e conjuntos que tocavam na JB:
- Hermeto Paschoal, Cesar Camargo Mariano, Antonio Adolfo, João Donato, Eumir Deodato, Maurício Einhorn, Gilson Peranzetta, Rildo Hora, Romero Lubambo, Leo Gandelman, Marcio Montarroyos, Mauro Senise, Toninho Horta, Egberto Gismonti, Sadao Watanabe, David Sanborn, Bob James, Lee Ritenour, Pat Metheny, Najee, Ryuchi Sakamoto, Toots Thielemans;
- Lany Hall, Anita Baker, Diane Schuur, Sade Adu;
- Leny Andrade, Joyce, Tania Maria, Flora Purim, Eliane Elias, Rosa Passos, Lisa Ono, Leila Pinheiro, Marisa Monte, Adriana Calcanhoto;
- The Manhattan Transfer, Matt Bianco, Duran Duran, UB40, Simple Minds;
- Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto, Edu Lobo, Marcos Valle, Ivan Lins, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, João Bosco, Luiz Melodia, Lô Borges, Danilo Caymi;
- Quincy Jones, Brian Ferry;
- Os Cariocas, MPB4, Quarteto em Cy, etc.

Ainda há muito a ser dito e contado sobre a Rádio Jornal do Brasil AM. O rádiojornalismo da Rádio JB AM, por exemplo, famoso por seu viés imparcial, investigativo, sóbrio e elegante, já foi objeto inclusive de livros e de teses de mestrado.
Desejo que de algum modo esta citação contribua para o resgate da memória desta importantíssima e saudosa emissora brasileira.

Alexandre Tupinambá.
Saudades dos bons tempos
(http://puraperola.blogspot.com)

No ano de 1976 onde a radio Mundial fazia um enorme sucesso estava eu mudando de estação no meu radinho de pilha que se usava muito e era moda naquela época quando de repente ouvi uma música super envolvente. Parei naquela frequencia que não sabia qual era a radio e fiquei ouvindo a música e quando ela terminou o locutor fez a seguinte anunciação: Voces acabaram de ouvir pela radio Jornal do Brasil Am STEPENWOLF - SKULLDUGGERY - Programa: 60 Minutos de Musica Contemporanea.
Que tempo maravilhoso
Compartilho com voces esse:
Boomp3.com
Postado por Progress às 00:13

9 comentários:
Roderick disse...
Rapaz, de segunda a sexta, 3 da tarde eu ligava o radio na JB AM. Gravei o programa em um monte de fitas que hoje eu não tenho mais.
Eh impossivel ouvir Tarkus sem lembrar daqueles dias.
http://apaixoderoderick.blogspot.com/
16 de outubro de 2008 10:31

Progress disse...
Caramba Roderick
então, temos muita coisa em comum.
Naquele tempo voce sabe que só alguns afortunados possuiam radio FM e dessa forma eu não curti a EldoPop mas alguns colegas sim..eu as vezes ouvia quando estava na casa de alguns. Meu primeiro radio FM eu comprei em 1978 justamente quando criaram aquela imundice chamada 98 FM. Mas curti muito esse programa na JB-AM era até um coroa que apresentava o programa.
Valeu
16 de outubro de 2008 13:45

Anônimo disse...
Também ouví muito aquele programa "60 Minutos de Música Contemporânea" da JB, e foi através desse programa que comecei a curtir rock e conhecí as grandes bandas como Zeppelin, Sabbath, Purple, Uriah, Thin Lizzy, UFO, ELP, etc...Saudades mesmo, bons tempos sim!Bem lembrado Roderick!
Meu e-mail para contatos ou add no MSN: donnialves@yahoo.com.br
Powerhead
17 de outubro de 2008 19:11

Anônimo disse...
E nesse programa quem apresentava era o sergio chapepin tenho a gravacao em fita k7 ele apresentando beggars opera em 60 mim de musica contemporanea realmente tempo magico valeu eduardo
17 de outubro de 2008 21:12

Rodrigo Moreira disse...
Também fui ouvinte assíduo do programa. Peguei mais ou menos por volta de 1976/77, já na fase do Alberto Carlos de Carvalho. A abertura clássica do programa era "Tarkus', do ELP, mas também tinha um comercial com uma música do Supertramp, daquele disco do piano na capa, que era bem a cara do programa. Fiquei sabendo depois que aqueles concertos formidáveis que eles rodavam vinham de um convênio com a BBC de Londres. Ouvi e gravei, em fitas Basf C120 e C90, Genesis com Peter Gabriel no Empire Pool e Queen no Hammersmith Odeon. Escutava até agarrar no cabeçote do rádio-gravador, ou arrebentar, mas eu remendava, com fita durex e cola Tenaz, e continuava ouvindo. Bons tempos! Teve um concerto com Allman Brothers em Londres que foi fantástico, eu tinha gravado, mas acabei gravando por cima o show do Genesis no Brasil, transmitido pela Mundial e Eldo Pop em 15/5/1977. Quem quiser trocar material e lembranças sobre esse período, estou a disposição. e-mail: basconca@gmail.com
21 de junho de 2010 19:44

http://puraperola.blogspot.com

Escute esta preciosidade (Especial de 50 anos da Rádio Jornal do Brasil AM)


2012-03-03T07:26:00.002-03:00

Comentários

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